Figura do dia: Brasil a surfar na onda de Matheus Cunha
Avançado do United teve uma oportunidade e bisou

Matheus Cunha a surfar sobre o relvado promete ser uma das imagens de marca do Mundial 2026. Carlo Ancelotti apostou no jogador do Manchester United e o Brasil saiu à rua a sambar, depois do avançado ter correspondido à oportunidade com dois golos que abriram caminho para a tranquila vitória da canarinha sobre o Haiti (3-0), já na madrugada deste sábado.
O «escrete» tinha sido alvo de duras críticas depois do empate consentido diante de Marrocos (1-1), com muitos críticos e adeptos a exigirem uma oportunidade para Endrick, mas Carlo Ancelotti fez apenas duas alterações em relação à estreia, lançando o experiente Danilo para o lado direito da defesa e apostando, lá está, em Matheus Cunha para o lugar de Igor Thiago no ataque.
Uma aposta, de certa forma, surpreendente, até porque o avançado tinha ficado em branco nos últimos cinco jogos que fez pelo Brasil e o último golo que tinha marcado tinha sido ainda com a camisola do United, a 17 de maio.
A verdade é que Matheus Cunha, aos 27 anos, está, finalmente, a afirmar-se no futebol mundial. Demorou, mas esta presença no Mundial 2026, depois de uma boa temporada no United, com dez golos e duas assistências, confirma que a tenacidade deste brasileiro nascido em João Pessoa está a dar frutos.
Formado no Coritiba, Matheus Cunha chegou à Europa cedo, ainda antes de fazer 18 anos, para jogar nos suíços do FC Sion. Marcou dez golos na primeira época e saltou para a Bundesliga, onde fez duas épocas no RB Leipzig e depois mais duas no Hertha BSC, onde acabou por chamar a atenção do Atlético de Madrid.
A dificuldade em adaptar-se às ideias de Diego Simeone acabou por lhe abrir as portas da Premier League através de um empréstimo ao Wolverhampton Wanderers em 2022/23. Foi a jogar num plantel recheado de portugueses que Matheus Cunha deu os primeiros passos na liga inglesa. Além de Toti Gomes, João Moutinho e Daniel Podence, os lobos de Bruno Lage contavam com seis portugueses que estão também agora no Mundial: José Sá, Nélson Semedo, Rúben Neves, Matheus Nunes, Pedro Neto e Gonçalo Guedes.
Três temporadas em crescendo levaram Ruben Amorim a ir buscá-lo para o Manchester United em ano de Mundial. Dez golos e a qualificação para a Liga dos Campeões levaram Carlo Ancelotti a incluí-lo nas últimas opções para o Campeonato do Mundo naquela que está, certamente, a ser a melhor temporada de sempre de Matheus Cunha.
Na estreia frente a Marrocos (1-1), começou no banco e jogou apenas a última meia-hora. No segundo jogo, na última madrugada, frente ao Haiti (3-0), foi titular e marcou dois golos em apenas treze minutos, já depois de ter visto um golo anulado.
O primeiro golo é uma recarga a um primeiro remate de Vinicius Júnior, mas o segundo é uma «bomba» de ângulo apertado que vale a pena rever.
Na festa dos dois golos, este nosso protagonista foi «surfar» junto à bandeirola de canto. É que o surfe é a segunda grande paixão de Matheus Cunha, além de ser amigo próximo de Ítalo Ferreira, um dos melhores surfistas do Brasil.



