As cores do mundo juntaram-se todas em Houston para celebrar Portugal será que valeu?

A Seleção Nacional já não tem tem fronteiras e uma festa com música portuguesa, alimentada a bifanas e com gente das mais variadas latitudes mostrou-o. Por Portugal e por Ronaldo.

Vieram do Canadá, do México ou de França. Vieram da Irlanda. Vieram do Brasil, do Equador, da Suécia e até da Índia. Vieram dos Estados Unidos, claro.

Cruzaram oceanos, países e continentes para se juntarem aos portugueses, para uma celebração em torno do amor pela Seleção Nacional que já não conhece fronteiras.

Quer dizer, quantas vezes vemos gente de tantas latitudes e com tantos sotaques a gritar pelo nome de Portugal? Ou a cantar Sooooouuuu, de Portugal eu sou?

Foi uma celebração épica, um cenário digno de um verdadeiro arraial, mas com uma dimensão global. Por todo o lado havia o número 7 nas costas: a camisola de Cristiano Ronaldo vestia miúdos e graúdos, unindo diferentes culturas sob uma mesma bandeira.

Os amigos de Ronaldo e bifanas sempre a sair

No ar, o inconfundível aroma das bifanas a sair da chapa transportava qualquer um diretamente para as festas populares de agosto em Portugal. A música era portuguesa, claro, e havia de tudo: dos acordes inconfundíveis dos Xutos & Pontapés aos populares temas que no verão animam qualquer arraial por Portugal inteiro.

Os portugueses cantavam, os estrangeiros dançavam, os menos dotados abanavam apenas o corpo, mas ninguém ficava indiferente àquela saudável loucura em torno do futebol.

Nem Miguel Paixão e José Semedo, os eternos amigos de Cristiano Ronaldo, quiseram faltar à festa.

A culpa era de Fernando Vaz, um português da Margem Sul, que se lembrou de trazer as bifanas exatamente como elas são para os Estados Unidos. Durante o Mundial, vai andar sempre atrás da Seleção Nacional, a fazer outras festas como esta.

«Não houve aqui nenhum processo criativo, o que eu quis foi basicamente trazer Portugal no prato para os Estados Unidos. Os americanos adoram, não é falsa modéstia, mas o feedback é mesmo muito bom. E onde quer que Portugal vá jogar, nós vamos atrás», referia.

«Organizar uma festa destas é um pesadelo. Mas um pesadelo dos bons, é muito recompensador. Depois de ver tudo o que está aqui a acontecer, vale tudo a pena.»

Tinha razão, em pouco tempo aquele armazém, com espaço interior e ao ar livre, ia estar a rebentar pelas costuras. Uma multidão de gente, de camisolas de futebol e gritos por Ronaldo.

«Isto tem sido um fenómeno. Estou aqui em Houston há uma semana. A seguir à camisola do México, porque a comunidade mexicana aqui é enorme, a camisola que mais se vê é a do Ronaldo. É uma absoluta loucura.»

Ansh era um desses casos. Um rapaz ainda jovem, alto, com a camisola de Cristiano Ronaldo vestida, circulava pelo espaço de copo na mão. Tinha vindo da Índia, sozinho, sem bilhetes, apenas para viver o ambiente do Mundial e, com alguma sorte, ver Cristiano Ronaldo.

«Não tenho bilhetes, mas aqui estou, apenas para viver o ambiente do Mundial e tem sido fantástico. Estou aqui para apoiar Portugal e para ver Cristiano Ronaldo ser campeão. Espero que ele ganhe o Mundial», confessa ao Maisfutebol.

«Espero ir a outras cidades, quero a seguir ir a Miami e vou ficar até à final, para ver todos os jogos no meio de outros adeptos e divertir-me. Vai ser espetacular.»

Um pouco mais afastada da confusão, sentados numa mesa, está uma família cabo-verdiana impecavelmente vestida com a camisola alternativa da Seleção Nacional.

«Nós temos duas seleções, Cabo Verde e Portugal. Temos as duas nacionalidades. Já estivemos no jogo de Cabo Verde com a Espanha, foi uma loucura. Uma noite incrível. E agora estamos aqui para apoiar Portugal», diz o pai.

«Nós em Cabo Verde dizemos duas coisas muito importantes: é a morabeza e o no stress. A morabeza significa o prazer da vida, o estar bem. E o no stress significa levar a vida um bocadinho mais relaxada, sem o stress da vida na Europa. E agora vamos levar a morabeza para o estádio aqui em Houston, para apoiar Portugal.»

Havia gente que tinha dado 650 dólares por um bilhete, outros 900 ou 950, outros estavam dispostos a ir até aos dois mil dólares. Todos pela mesma razão: ver Cristiano Ronaldo.

O taxista que nos conduzira até à festa, por exemplo, tinha comprado dois ingressos a 870 euros cada um: para ele e para a namorada. Não era adepto de futebol, mas queria ver Ronaldo jogar no último Mundial.

«It’s a once-in-a-lifetime opportunity», explicava. A oportunidade de uma vida.

De volta ao armazém, as filas de espera pareciam não ter fim. Longos metros de gente que esperava ansiosamente para entrar naquela celebração de Portugal e do futebol. O dia acordara chuvoso, a Fan Zone não ia abrir e aquela festa espalhara-se de boca em boca.

Lá dentro, a enorme festa era a prova viva de que a Seleção Nacional é hoje um fenómeno global: uma família espalhada pelos quatro cantos do mundo, unida pelo orgulho de vestir as cores de Portugal e pela magia universal que é o futebol.

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