João continua desaparecido e mãe acredita que terá sido “seduzido por dinheiro”

Há mais de um mês que Sara Figueiredo vive sem respostas sobre o paradeiro do filho, João Espada, de 20 anos. O jovem de Peniche viajou até ao Sudeste Asiático no final de abril, tendo fingido junto da família, durante vários dias, que continuava em Lisboa, onde vivia desde fevereiro.

No dia 7 de maio, Sara falou pela última vez com o filho, por mensagem. A partir daí a sua vida virou um pesadelo.

Sem saber nada de João, com quem falava por mensagens todos os dias, a mulher foi surpreendida com uma mensagem misteriosa de um número desconhecido (que nunca mais lhe respondeu

“Esta pessoa disse-me que tinha conhecido o João num bar, em Banguecoque, na Tailândia. Acrescentou que se o João não tinha regressado a Portugal, deveria apresentar queixa na polícia. Eu nem sequer sabia que o meu filho estava fora do país”, contou no início de junho ao Correio da Manhã, acrescentando que a pessoa que enviou esta mensagem nunca mais lhe respondeu.

Sara apresentou queixa às autoridades que, segundo ela, começaram por desvalorizar o desaparecimento. Por isso, decidiu fazer a sua própria investigação.

Ao programa de Júlia Pinheiro, na SIC, transmitido ontem, terça-feira, 16 de junho, a mulher garantiu ter feito todos os contactos possíveis mas as informações que conseguiu foram escassas. Falou com a embaixada da Tailândia em Lisboa, Polícia Judiciária (PJ), com o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), com as autoridades alemãs.

Da embaixada de Portugal na Tailândia nunca obteve sequer resposta. “Nunca me atenderam as chamadas nem responderam aos e-mails”, assegurou.

No dia 20 de maio, o Gabinete de Emergência Consular disse-lhe apenas que João Espada não estava detido nem hospitalizado na Tailândia. Entretanto, Sara descobriu que, a 7 de maio, precisamente no último dia em que falou com o filho, João viajou de avião até outro país da região, o Vietname. A partir daí, não soube mais nada.

“O João foi seduzido por qualquer coisa. Pelo dinheiro”

A Júlia Pinheiro, Sara admitiu que o filho era “fácil de seduzir”, “queria tudo o que os outros tinham” mas tinha “medo” e era “muito dependente” e, apesar de ter já 20 anos, “era um miúdo”. Por isso, acredita que “foi seduzido por qualquer coisa”, muito provavelmente “pelo dinheiro”.

Quando pediu o “passaporte de urgência” que o levou a Banguecoque não tinha liquidez para o fazer. “Só pode ter tido ajuda, o João nunca poderia ir para a Tailândia sozinho, de certeza absoluta”, assegurou a mulher, visivelmente emocionada.

João vivia vida paralela

Mas João, que tirou um curso profissional de cozinha e pastelaria, já vivia uma vida paralela antes de rumar ao Sudoeste Asiático. Em fevereiro, mudou-se de Peniche, onde vivia com a mãe e o padrasto, para Lisboa, para viver com a avó.

Arranjou emprego num restaurante, na Penha de França, mas só ali ficou seis dias, até ao início de março. Nessa altura, deixou o trabalho mas não disse nada à família. Aliás, continuou a sair de casa como se fosse para o restaurante e mandava mensagens à mãe, todos os dias a dizer que estava a ir para o local ou que já lá tinha chegado.

Sara só descobriu a verdade quando, depois de João desaparecer, investigou os seus últimos passos em Portugal, antes de embarcar para a Tailândia, no final de abril.

Apesar de ser muito sociável, a mãe admite que não tinha amigos. Não criava vínculos. Namoradas era uma numa semana, outra noutra. Já com a irmã era “muito cúmplice” mas nem a essa contou o que se passava na sua vida.

Entre a esperança e o desespero, Sara e a restante família continuam assim à procura de respostas para o misterioso desaparecimento de João. À SIC, a Polícia Judiciária (PJ) revelou que João consta da lista dos desaparecidos. Já o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) garantiu que estão a ser feitas “averiguações”.

“Tivemos indicação das autoridades tailandeses de que este cidadão se dirigiu para o Vietname. Neste momento decorre um processo de averiguação para tentar apurar se ainda se encontra no país e a sua localização. O MNE continuará a acompanhar o caso”, citou Júlia Pinheiro no programa que apresenta e no qual entrevistou Sara Figueiredo.

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