Bombastica, Caderneta do Mundial, dia 8: o comprimido que Portugal nos deu para dormir bateu num choque de adrenalina
O melhor jogo deste Mundial chegou depois da desilusão portuguesa

Chegámos ao fim da primeira jornada e, como seria de esperar, há surpresas, desilusões e confirmações. Portugal está, infelizmente, nas primeiras duas, já que desiludiu no surpreendente empate contra a República Democrática do Congo, seleção que não parava por estas andanças desde 1974, na altura ainda como Zaire.
Desta vez foi um desaire, mas de Portugal, que terá de fazer bem mais para conseguir ultrapassar o Uzbequistão e, sobretudo, a Colômbia.
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História do dia
Os primeiros cinco minutos do jogo deixavam a entender algo completamente diferente. Na redação da CNN Portugal houve quem tivesse antecipado até uma goleada, até porque aquilo que é considerado o mais difícil nestes jogos estava feito. Grande cruzamento de Pedro Neto e cabeçada vencedora de João Neves, a entrar de rompante qual ponta de lança. O problema foi que o jogo depois adormeceu de tal forma que funcionou como um autêntico comprimido para todos, até para os jogadores da Seleção.
Numa competição em que há mais equipas a passar do que a ficar de fora, é difícil imaginar que Portugal possa ser eliminado, até porque tem obrigação de vencer o Uzbequistão, sendo que esses quatro pontos à partida chegarão quase de certeza para passar, nem que seja como um dos melhores terceiros qualificados.
O problema é o jogo seguinte, com a Colômbia. A julgar pelo sofrimento que vai tomando conta da defesa da Seleção, jogadores como Luis Díaz ou Luis Suárez farão Portugal abanar por todos os lados.
A reconstrução deve acontecer precisamente por aí, pela defesa, nomeadamente na reabilitação da figura de um líder que encaixa na perfeição em Rúben Dias. Esperemos que esteja disponível.
Se a ironia e sarcasmo da imprensa portuguesa podem parecer injustos para com a Seleção, basta ver o que se diz lá fora desta exibição para perceber que há sintonia.
Um jogo bom para acordar
Tirando para os portugueses, o Inglaterra-Croácia era o jogo do dia. Era até um dos jogos da jornada, provavelmente a par do Brasil-Marrocos, França-Senegal ou Argentina-Argélia. E quem assistiu ao primeiro confronto europeu deste Mundial não deve ter dado o tempo por perdido. Era mesmo a injeção de adrenalina que se estava a pedir.
Aliás, quem tiver feito a transição entre o jogo de Portugal e a partida seguinte deve ter achado que eram até desportos diferentes. Tanto Inglaterra como Croácia mostraram ter ideias e vontade de as aplicar, sobretudo num plano ofensivo.



