Rúben Amorim deixou o comando do Manchester United, na manhã de 5 de janeiro de 2026, numa decisão que surpreendeu parte dos adeptos e marcou o fim de
Rúben Amorim deixou o comando do Manchester United, na manhã de 5 de janeiro de 2026, numa decisão que surpreendeu parte dos adeptos e marcou o fim de uma fase conturbada no clube inglês. A saída ocorre depois de 14 meses no comando técnico da equipa, num período repleto de resultados irregulares e tensão interna.
Segundo comunicado do clube, a direção do Manchester United entendeu que era “o momento certo para promover uma mudança” na liderança da equipa, com o objetivo de melhorar os resultados e assegurar uma classificação mais elevada na Premier League ao longo da temporada. Atualmente, o United ocupa a sexta posição na liga inglesa, numa campanha marcada pela instabilidade e fraco desempenho comparado com padrões históricos do clube.
A decisão surge poucas horas após o empate por 1-1 com o Leeds United, na 20.ª jornada do campeonato, resultado que deixou a equipa fora dos lugares europeus e sob crescente pressão.
Fim de um ciclo: a passagem de Amorim pelo Old Trafford
Rúben Amorim foi contratado pelo Manchester United em novembro de 2024, com expectativas de revitalizar um projeto desportivo que já sofria com resultados abaixo do desejado. O português chegou com um sistema tático definido e ambições claras, mas encontrou resistência interna e dificuldades em adaptar a sua filosofia à estrutura da equipa. Sky Sports
Durante o seu período no clube, Amorim acumulou mais de 60 partidas no comando técnico, com tendência mista de vitórias e derrotas. O treinador também liderou o Manchester United até à final da UEFA Europa League, apesar de a equipa ter perdido essa decisão, ficando sem garantir lugar na Liga dos Campeões para a próxima temporada.
A tensão entre Amorim e a direção do futebol intensificou-se nos últimos meses, com divergências sobre tática, reforços e autoridade nas decisões. O técnico chegou a afirmar que queria ser visto como “manager” — com maior poder de decisão — e não apenas como treinador, num comentário que foi amplamente divulgado na imprensa e nas redes sociais.
Repercussões imediatas e nova liderança
Com a saída de Amorim, Darren Fletcher, antigo jogador e atual treinador dos sub-18, foi nomeado treinador interino para comandar a equipa nas próximas partidas, começando pelo desafio frente ao Burnley, agendado para esta quarta-feira. Fletcher, conhecido pela sua ligação ao clube como jogador, assume a equipa numa fase crítica da temporada. Reuters
A direção do Manchester United ainda não anunciou um substituto permanente, mas circulam especulações sobre possíveis nomes que poderão assumir o cargo nos próximos meses, incluindo treinadores com experiência europeia.
Reações e legado
A saída de Amorim gerou reações imediatas no universo do futebol. O ex-jogador e comentarista Gary Neville defendeu que o United deve agora procurar um treinador que alinhe com a “identidade tradicional” do clube, privilegiando um futebol ofensivo e consistente.
Nas últimas semanas, figuras influentes no clube e alguns jogadores também tinham demonstrado preocupação com a falta de estabilidade e mudanças frequentes de treinador — o que já havia sido descrito por ex-talentos do clube como Marcus Rashford como uma espécie de “terra de ninguém” devido à rotatividade técnica e falta de continuidade.
O que vem a seguir para o Manchester United
Após a saída de Amorim, o Manchester United enfrenta um período de transição. A equipa procura estabilizar o desempenho na Premier League e manter-se competitiva nas competições domésticas, enquanto a direção avalia opções para um treinador permanente que consiga unir o plantel e satisfazer as expectativas dos adeptos.
O projeto passa agora por consolidar um estilo de jogo claro, reforçar o plantel com escolhas estratégicas no mercado e evitar os ciclos de mudanças constantes que têm marcado os últimos anos do clube desde a saída de Sir Alex Ferguson.
O ciclo pós-Ferguson e o eterno recomeço do Manchester United
Desde a saída de Sir Alex Ferguson, o Manchester United viveu algo parecido com um labirinto emocional e estrutural. O clube trocou de treinadores, de ideias e até de discursos, mas nunca encontrou um fio condutor sustentável. Rúben Amorim entra nessa galeria não como exceção, mas como mais um capítulo de um padrão: projetos iniciados com entusiasmo e interrompidos antes de amadurecer.
Depois de Ferguson, houve o treinador “experiente” para estabilizar, o “disciplinador”, o “romântico da posse”, o “pragmático das transições” e o “líder de vanguarda”. Todos chegaram com promessas diferentes e todos saíram com um diagnóstico semelhante: o clube quer identidade, mas não aguenta o tempo necessário para construí-la. O resultado é uma espécie de limbo competitivo. Nem reconstrução total, nem continuidade verdadeira.

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