LAM paga salário ao Chakil Aboobacar mesmo sem exercer funções ativas
O secretário-geral do partido frelimo, figura na folha de pagamento da empresa pública desde 2016, embora a sua presença funcional seja cada vez mais simbólica.
Apesar de ter sido nomeado Secretário-Geral da Frelimo em fevereiro deste ano, Chakil Aboobacar continua a receber salário da LAM – Linhas Aéreas de Moçambique –, empresa onde mantém o cargo de presidente do Conselho Fiscal. O caso reacende o debate sobre a separação entre o partido no poder e as instituições do Estado.
A permanência na LAM após nova nomeação partidária
O dirigente partidário Chakil Aboobacar assumiu, a 14 de fevereiro, o cargo de Secretário-Geral da Frelimo, por indicação direta do presidente do partido, Daniel Chapo.
Ainda assim, continua inscrito na folha salarial da LAM, onde exerce, desde 2016, a função de presidente do Conselho Fiscal.
Segundo apurou o Evidências, o órgão em questão deveria reunir-se trimestralmente, mas, na prática, reúne-se apenas uma vez por ano.
Apesar dessa atividade reduzida, Aboobacar continua a receber mensalmente mais de 60 mil meticais da LAM, sem interrupção.
Legal, mas controverso: salário sem presença ativa
Do ponto de vista legal, não há impedimentos para que figuras políticas acumulem cargos em empresas públicas.
Porém, analistas e cidadãos consideram a prática eticamente problemática, sobretudo em tempos de crise e cortes orçamentais.

O Secretário-Geral da Frelimo já aufere um salário superior a 600 mil meticais pelo cargo partidário, o que levanta dúvidas sobre a real necessidade de continuar vinculado à LAM.
Além disso, a sua agenda política e institucional torna improvável o exercício efetivo da função que justifica o pagamento.
Uma tradição antiga que se mantém
Chakil Aboobacar não é caso isolado.
Antes dele, os ex-secretários-gerais Roque Silva, Filipe Paúnde e Manuel Tomé também foram acomodados em empresas públicas ou participadas pelo Estado, com salários elevados e responsabilidades limitadas.
A prática repete-se: cargos simbólicos são frequentemente atribuídos a membros do partido, mesmo quando estes já não têm condições de exercer funções ativas.
Casos como o da Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB) e do Instituto Nacional de Comunicações de Moçambique (INCM) reforçam esse padrão.