Investigação jornalística feita por repórteres da Woona TV terminou em violência nesta semana, na cidade de Nacala-Porto, província de Nampula. Seguranças privados atacaram a equipa enquanto ela cobria uma denúncia envolvendo uma fábrica ilegal de óleo alimentar.

O caso ocorreu quando os jornalistas Sérgio Fernando e Édio Fernando tentavam documentar o funcionamento da unidade fabril que comercializa óleo sob a marca “Super Vega”. A Inspeção Nacional das Atividades Econômicas (INAE) acusou recentemente a fábrica de operar à margem da legislação moçambicana
Investigação jornalística levou os repórteres a uma fábrica suspensa pela INAE
De acordo com o relatório da INAE, divulgado no dia 16 de abril, a produção ocorria sem licença sanitária, sem rotulagem adequada e com uso indevido do selo “Made in Mozambique”. Por essas razões, o órgão regulador ordenou a suspensão imediata das atividades, a retirada do produto dos estabelecimentos e a análise laboratorial das amostras.
Com o objetivo de verificar se a ordem estava sendo cumprida, os jornalistas deslocaram-se até o local. Ao chegarem, foram impedidos de entrar pelos seguranças da empresa Front Risk Solutions. Mesmo assim, optaram por filmar do lado de fora, respeitando os limites impostos.
Violência inesperada contra a liberdade de imprensa
Durante as filmagens externas, cinco seguranças avançaram contra os jornalistas, destruindo os equipamentos e tentando impedir a reportagem. Um deles, encapuzado, efetuou um disparo para o ar, numa clara tentativa de intimidação.
Pouco depois, outros agentes chegaram e os agrediram violentamente à vista de transeuntes, ao longo da Estrada Nacional Número 8. O episódio gerou indignação e preocupação sobre a liberdade de imprensa no país.