Daniel Chapo, o Presidente moçambicano, completa cem dias no poder neste 30 de abril, marcados por tentativas de resposta à crise económica e a abertura de canais de diálogo político. O balanço desse período inicial revela uma realidade complexa, onde os avanços convivem com obstáculos persistentes.

Segundo uma análise publicada pela agência Lusa (via MSN Notícias), o governo liderado por Chapo tem enfrentado um cenário económico adverso. Ainda assim, o Presidente destacou, nesta segunda-feira, ter conseguido “fazer omeletes sem ovos” ao iniciar o pagamento de salários em atraso na função pública e estabelecer conversações com forças da oposição.
O politólogo Arcénio Cuco, professor da Universidade Rovuma, considera que é prematuro tirar conclusões definitivas em apenas cem dias, dado o contexto desafiante herdado, incluindo instabilidade pós-eleitoral, manifestações violentas e consequências de fenómenos naturais como ciclones. Para Cuco, o mais importante neste momento é observar se as ações anunciadas se traduzirão em mudanças reais para a maioria dos cidadãos.
Daniel Chapo: Avanços no diálogo político
Um dos sinais positivos apontados por analistas foi o início de entendimentos entre o governo e a oposição, incluindo encontros com Venâncio Mondlane, ex-candidato presidencial. A Assembleia da República aprovou acordos que incluem o fim da violência e compensações para as vítimas da crise pós-eleitoral. No entanto, Cuco alerta que a verdadeira medida do sucesso estará na implementação, lembrando que Moçambique tem um histórico de acordos que não se materializam plenamente.
“Vivemos momentos de tréguas tensas, que infelizmente não duram. A pergunta que fica é: esses entendimentos recentes vão gerar paz duradoura e permitir repensar o sistema político?”, questiona o académico.
Economia em crise e insatisfação social
Apesar de algumas conquistas, como o pagamento de subsídios em atraso e do 13.º mês a funcionários públicos e professores, os problemas económicos permanecem. Greves e ameaças de paralisação continuam em setores-chave como saúde e educação, devido a condições precárias e atrasos salariais. “Está evidente que Moçambique atravessa uma crise económica grave”, resume Cuco.
O próprio Presidente reconheceu, em discurso recente, que a estabilidade económica, social e política é a sua principal prioridade. Ainda assim, o descontentamento entre trabalhadores revela que há um longo caminho pela frente para restaurar a confiança e normalizar os serviços públicos.
LAM sob os holofotes
Outro ponto crítico destacado nestes cem dias foi a crise nas Linhas Aéreas de Moçambique (LAM). Daniel Chapo denunciou interesses internos que estariam a sabotar os planos de reestruturação da companhia estatal. A promessa de adquirir três aeronaves não se concretizou, e o Presidente comparou a gestão da empresa à entrega de um galinheiro a raposas, apontando corrupção e conflitos de interesse.
Para Arcénio Cuco, os problemas da LAM refletem, portanto, uma realidade mais ampla dentro das empresas estatais. De fato, segundo o professor, a situação da LAM é apenas um exemplo de uma gestão pública frequentemente marcada por resistência interna e interesses instalados. Assim, Chapo terá de exercer uma liderança firme se quiser, de fato, mudar esse cenário, defende.
Fonte original: Agência Lusa, via MSN Notícias