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Cristina Ferreira reage às 3.300 queixas na ERC e fala em «puro ódio pessoal»

Cristina Ferreira quebrou o silêncio depois de a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) ter recebido cerca de 3.300 participações relacionadas com as declarações que fez no programa Dois às 10, da TVI, sobre o caso dos quatro jovens acusados de violação de uma adolescente.

Cristina Ferreira reage às 3.300 queixas na ERC e fala em «puro ódio pessoal»

Cristina Ferreira quebrou o silêncio depois de a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) ter recebido cerca de 3.300 participações relacionadas com as declarações que fez no programa Dois às 10, da TVI, sobre o caso dos quatro jovens acusados de violação de uma adolescente.

A apresentadora considera que está a ser alvo de ataques pessoais e rejeita qualquer tentativa de desculpabilização de crimes de natureza sexual. A polémica surgiu depois de ter questionado, em direto, se os quatro jovens envolvidos no caso teriam compreendido o pedido da alegada vítima para parar.

ERC recebeu milhares de participações

Em declarações à agência Lusa, a ERC confirmou ter recebido, até ao momento, 3.300 participações relacionadas com as declarações de Cristina Ferreira.

Segundo o regulador, as queixas encontram-se em apreciação pelos serviços, na sequência de um procedimento de averiguações determinado pelo Conselho Regulador.

Em causa estão comentários feitos durante uma conversa sobre o processo judicial que envolve quatro jovens, atualmente com idades entre os 18 e os 21 anos, acusados de crimes relacionados com uma alegada violação de uma adolescente de 16 anos.

Durante o programa, Cristina Ferreira questionou se, numa situação envolvendo quatro pessoas, alguém teria compreendido o pedido da jovem para interromper os atos. As palavras provocaram fortes críticas e acusações de que estaria a desvalorizar o comportamento dos arguidos.

Cristina Ferreira garante que não justificou qualquer crime

Perante a dimensão da polémica, a apresentadora recorreu ao Instagram para esclarecer a sua posição.

Cristina Ferreira começou por rejeitar qualquer forma de violência ou abuso, afirmando: «Rejeito e considero injustificável qualquer forma de crime ou de abuso».

A responsável da TVI defendeu ainda que as suas declarações devem ser analisadas no contexto integral da conversa. Segundo explicou, as palavras foram proferidas durante uma pergunta dirigida aos comentadores da rubrica Crónica Criminal, e não como uma opinião pessoal sobre o caso.

A apresentadora insistiu que nunca procurou justificar o alegado crime nem diminuir o sofrimento da jovem envolvida.

Na mesma publicação, lamentou o que considera ser o nível dos ataques de que tem sido alvo e deixou uma frase que resume a sua reação à polémica: «Uma coisa é a liberdade de opinião, que pratico na minha vida e que incentivo no espaço público. Outra coisa, são exercícios de puro ódio pessoal».

TVI também reagiu e ameaça recorrer aos tribunais

A TVI já tinha emitido um comunicado a contestar as acusações de banalização de um caso de violação no programa.

A estação defendeu Cristina Ferreira e classificou a divulgação das declarações como uma «manipulação grosseira». No mesmo comunicado, garantiu que não concorda, em circunstância alguma, com a desvalorização de crimes de natureza sexual.

O canal anunciou ainda que pretende recorrer aos tribunais para contestar aquilo que considera serem acusações injustas contra a apresentadora.

Pais da adolescente ponderam apresentar queixa-crime

Entretanto, uma fonte próxima do processo revelou que os pais da adolescente terão assinado uma das participações apresentadas à ERC.

A mesma fonte indicou que estão também a ponderar avançar com uma queixa-crime contra Cristina Ferreira, embora ainda não exista uma decisão definitiva.

A situação surge depois de, em março, a ERC ter aberto um processo de contraordenação à TVI por causa de outras declarações da apresentadora relacionadas com uma vítima de femicídio. Na altura, o regulador alertou o canal para a necessidade de sensibilizar os profissionais para a importância de discursos responsáveis.

Processo judicial contra os quatro jovens continua

De acordo com a acusação do Ministério Público, os quatro arguidos respondem por um crime de violação agravado e 27 crimes de pornografia de menores agravados. Existem ainda acusações de ofensa à integridade física contra alguns dos envolvidos.

Na primeira sessão do julgamento, realizada a 13 de abril, apenas um dos quatro arguidos aceitou prestar declarações, tendo afirmado perante o coletivo de juízes que os atos sexuais foram consensuais.

O Ministério Público apresenta, contudo, uma versão diferente dos acontecimentos na acusação. Segundo essa versão, a adolescente terá sido impedida de abandonar o local e forçada a participar em atos sexuais com dois dos arguidos, enquanto os restantes estavam envolvidos na situação.

O julgamento decorre à porta fechada, tendo sido indicada a data de 20 de abril para a sessão seguinte.

Até ao momento, o processo judicial continua em curso, pelo que os factos imputados aos arguidos terão de ser apreciados pelo tribunal.

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